quinta-feira, 13 de setembro de 2018

TEM REGRA?

DICAS INFORMAIS PARA GRUPO DE WHATSAPP 

COM SURDOS



Você possui amigos surdos ou iniciou um curso de Libras a pouco tempo, e como é de costume hoje em dia, logo todos estamos conectados em grupos do Whatsapp, certo!

Então você tem contato no particular com surdos ou em grupos. E você já parou pra pensar em quais são as “regras” de grupos no Whatsapp em que também há surdos?

É simples, não é preciso se assustar e nem para de conversar com seus amigos surdos e grupos onde há surdos. Mas algumas regrinhas básicas de comunicação no Whatsapp facilitam a vida do surdo e evitam que você reenvie a sua mensagem ou precise se explicar.

Lembrando que essa lista é uma sugestão e todas elas são informais, apenas para todos termos uma boa convivência e que ouvintes garantam o acesso às informações aos surdos de modo geral.

Então vamos às dicas:


- NÃO ENVIE ÁUDIO: Parece lógico, mas muitas pessoas que estão em grupos de Whatsapp onde também há surdos se esquecem e acabam enviando áudio. E logicamente o/os surdo/os do grupo ficam sem conseguir entender a mensagem, por um motivo que nem preciso explicar!!! Então evite de enviar mensagens de áudio e prefira sempre a escrita ou o vídeo em língua de sinais. Mas se for urgente e você precisar enviar a mensagem e não consegue digitar no momento, nem enviar o vídeo, envie o áudio e peça para alguém do grupo traduzir a mensagem (Lembrando que a pessoa que traduzirá a mensagem faça a indicação: “tradução do áudio do João:...”, por exemplo). Outra opção é a utilização de aplicativos que transformam áudio em texto. É o caso do Speech To Text Notepad,Google Keyboard e Dragon Dictation. Os três serviços podem ser utilizados para qualquer situação, desde gravar aulas até enviar emails, mandar mensagens pelo Facebook, Twitter e WhatsApp, sem precisar digitar.


- NÃO ENVIE VÍDEOS SEM LEGENDA: É comum nos grupos do Whatsapp, os membros enviarem vídeo com piadas, músicas, mensagens ou textos interessantes. Contudo se o vídeo não possui nem a janela de Libras nem a legenda em português, não envie para grupos em que há surdos. Novamente não preciso dizer que os mesmos não entenderão o vídeo e se sentirão excluídos da mensagem.




- ACEITE A FORMA QUE O SURDO ESCREVE: quando ouvintes trocam mensagens com alguns surdos, muitos estranham a forma de escrita destes. Mas é preciso saber que mesmo os surdos sabendo a língua portuguesa escrita, muitas vezes invertem a ordem das palavras da frase ou optam por não colocar os conectivos. Isso tudo se dá pela estrutura gramatical da língua de sinais, que é diferente da língua portuguesa e dessa forma estes acabam transcrevendo sua sinalização, o que muito ouvintes veem com certa estranheza.


- NÃO SUBESTIME O SURDO: Quando vamos conversar com os surdos, como dito no tópico acima, lemos suas mensagens e pensamos que precisamos escrever como eles estão nos escrevendo para que assim estes consigam entender. Mas não é necessário subestimar a capacidade de entendimento do surdo. Devemos escrever o português corretamente, até mesmo para que assim, ele aprenda com o uso e os exemplos. E se por algum acaso ele/ela não entenderem, os mesmos irão lhe questionar. Portanto explique sobre o que quis dizer.


- DÊ PREFERENCIA PELA L1 DOS SURDOS: Ao trocar mensagens com amigos surdos, dê preferência pela língua de sinais, pois é a língua de conforto dos surdos. O que facilitará seu entendimento e ao mesmo tempo passará uma mensagem de aceitação por completo.


- TRATE O SURDO NORMALMENTE: Como já dito anteriormente, não subestime sua capacidade de entendimento ou até mesmo de reflexão. O tratamento deve ser igual a todos. Até mesmo quando é necessário “falar algumas verdades!”.


- SURDOS SÃO MAIS DIRETOS NAS SUAS MENSAGENS: Outro fato interessante de se lembrar é que muitas vezes surdos podem parecer grosseiros em suas mensagens escritas. Contudo é apenas a forma mais direta de se comunicarem. O que também muitas vezes para ouvintes é visto com espanto.


- SEDE DE COMUNICAÇÃO: Mudar de assunto rapidamente, também é frequente na conversa com alguns surdos. Isso ocorre muitas vezes pois alguns surdos possuem “sede de comunicação” e quando encontram amigos querem conversar sobre todas as suas dúvidas ou assuntos que lhes interessam. Contudo isso é apenas a demonstração de, muitas vezes, falta de ter com quem conversar, pois a maioria dos ouvintes não sabe Libras. E isso também ocorre com familiares dos surdos, que não sabem Libras, e assim não incluem os surdos nas conversas rotineiras .



Por fim, vale ressaltar que nenhuma das características apresentadas neste texto são generalizadas. Elas apenas servem para demonstrar alguns dos casos que podem ocorrer em situações de comunicação entre surdos e ouvintes. E que todas as informações acima também servem para surdos oralizados, implantados ou que são usuários de aparelhos auditivos. Pois muitas vezes, como no exemplo do envio de áudios, apesar de usarem aparelho auditivo, não conseguem compreender perfeitamente 100% da mensagem. 


Ah... e não se esqueça de ter muitos amigos, surdos ou não, amigos alegram nossa vida!!! 



Texto de Vanessa Paula Rizzotto e Marcos Alexandre Marquioto. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

DIA INTERNACIONAL DAS LÍNGUA DE SINAIS

DAS COMEMORAÇÕES DO SETEMBRO AZUL!

Você sabia que no mês de setembro a comunidade surda comemora várias de suas conquistas relacionadas à língua e também a cultura e identidade surda?

Pois é! Em uma comemoração cultural as celebrações iniciam hoje, no dia 10 de setembro. 
Mas porque hoje? E o que é comemorado neste dia??? 

A Federação Mundial de Surdos (WDF) instituiu o dia 10 de setembro como o Dia Internacional das Línguas de Sinais. A iniciativa partiu da Associação de Surdos da Suécia, em 2011, em referência ao Congresso de Milão, ocorrido entre 06 e 11 de setembro de 1880, quando ficara proibido o uso das línguas de sinais, e imposto o oralismo, na educação de surdos.
A data é lembrada com manifestações de comunidades surdas de todas as partes do mundo. O objetivo é garantir o respeito e promover o reconhecimento das línguas de sinais em diferentes países, lembrando das marcas deixadas na história dos surdos pela proibição às suas línguas.
Obs.: Você já deve saber que cada país possui a sua língua de sinais, ou seja, elas não são universais! Como no Brasil a língua oral é o Português, a língua de sinais é a Libras. E assim também é, por exemplo nos EUA, em que a língua oral é o Inglês, e a língua de sinais é o ASL. Ou ainda m Portugal, que os ouvintes falam o Português de Portugal e a língua de sinais é o LGP (Língua Gestual Portuguesa). 
Contudo já temos uma Língua Internacional de Sinais: o Gestuno (ou Língua Gestual Internacional) que é uma língua auxiliar internacional, muitas vezes usada pelos surdos em conferências internacionais, ou informalmente, quando viajam. Contudo ela ainda está em processo de solidificação e estudos científicos. 
Voltando a falar do dia 10 de setembro de da nossa língua de sinais, no Brasil, a Libras (Língua Brasileira de Sinais) foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda pela Lei Federal nº 10.436, de 2002. E, em 22 de dezembro de 2005, foi publicado no Diário Oficial da União o Decreto nº 5.626 que a regulamentou.
No mês de setembro, ou “Setembro Azul”, comemoram-se ainda as seguintes datas: Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, 21; Dia Nacional do Surdo e aniversário do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), 26; e Dia Internacional do Surdo, 30.
A cor azul, escolhida para representar “O Orgulho Surdo”, presta homenagem a todos os que morreram depois de serem classificados como “surdos”, com a faixa da mesma cor amarrada ao braço, durante o nazismo alemão.

Fonte: http://roquettepinto.org.br/linguas-de-sinais-abrem-comemoracoes-do-setembro-azul/


terça-feira, 4 de setembro de 2018

VAMOS FALAR SOBRE A “INTERPRETAÇÃO”?

PRINCÍPIO BASE DA FUNÇÃO DO PROFISSIONAL INTÉRPRETE DE LIBRAS

Hoje, estudos já demonstram que são diversos os campos de atuação para os profissionais intérpretes de Libras, assunto este que veremos em outro texto aqui no blog. Contudo, uma informação é fundamental: o princípio base da função do profissional intérprete de Libras, seja ele atuando em qualquer contexto interpretativo, é o REPASSE/TRANSMISSÃO de/das informações para o sujeito/aluno/cidadão/paciente/cliente surdo.

Falamos isso, pois muito ainda se discute sobre qual a verdadeira função dos intérpretes de Libras, principalmente quando falamos dos intérpretes que atuam no âmbito educacional, já que ainda há dificuldade em a escola aceitar que ali haja profissionais sem função pedagógica, fato este relatado no livro publicado pela Fundação Catarinense de Educação Especial, “Intérpretes educacionais de Libras: orientações para a prática profissional” publicado em 2013 e disponível para acesso público na biblioteca online do site da FCEE.

Um dos exemplos claros do fato citado acima é quando a escola solicita que o/a profissional intérprete substitua um professor quando este falta de seu dia de trabalho, ministrando a aula para a turma ou repassando atividades. Entretanto, os intérpretes de Libras não possuem essa função, pois não preparam aulas, não dão nota aos alunos surdos nem aos demais, visto que essas atividades são relacionadas ao ensino e a formação adequada destes profissionais é em nível de bacharelado*, por isso não receberam instruções pedagógicas. O que precisamos deixar claro é que, a atual forma de contratação dos intérpretes se dá pelo cargo de professor, mas com atribuições diferentes, pois não há outra forma de contratação para esse profissional em âmbito estadual. Por enquanto! (SC-FCEE, 2013, p. 26)

O livro citado acima, que pode ser considerado um manual tanto para a escola quanto para os profissionais intérpretes, ainda nos coloca que compreendendo que a função do intérprete não é pedagógica, e sim, puramente técnica, as capacitações na escola desse cunho, pedagógicas, não se aplicam a esse profissional. Contudo e somente se houver professores surdos nessas formações o intérprete deverá realizar a interpretação, mas lembramos que um dia inteiro de formação será muito cansativo para a atuação de um único intérprete, sendo necessária a contratação de mais profissionais. (SC-FCEE, 2013, p. 26)

E por fim, ressaltamos que conforme Quadros (2004, p. 28) é função do intérprete de libras:

Realizar a interpretação da língua falada para a língua sinalizada e vice-versa observando os seguintes preceitos éticos:a) confiabilidade (sigilo profissional);b) imparcialidade (o intérprete deve ser neutro e não interferir com opiniões próprias);c) discrição (o intérprete deve estabelecer limites no seu envolvimento durante a atuação);d) distância profissional (o profissional intérprete e sua vida pessoal são separados);e) fidelidade (a interpretação deve ser fiel, o intérprete não pode alterar a informação por querer ajudar ou ter opiniões a respeito de algum assunto, o objetivo da interpretação é passar o que realmente foi dito). **

Sendo que tudo se resume então ao que defendemos já no início deste texto: o REPASSE / TRANSMISSÃO de/das informações. Contudo, após citarmos o fator principal que rege a função do intérprete e excluirmos vários outros exemplos de atuação a que este não se enquadra, ressaltamos que as demais funções não são nem melhores nem piores do que a função do intérprete, mas apenas não são suas atribuições. O intérprete foi contratado para função de interpretação, o que não é pouco. (SC-FCEE, 2013, p. 32)


* Letras Libras – Bacharelado: curso superior para formação de profissionais tradutores e intérpretes de Libras.
** Ainda falaremos, também em outro texto aqui do blog sobre tais preceitos éticos dos profissionais intérpretes de Libras e do Código de Conduta Ética publicado pela FEBRAPILS (A Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores e Intérpretes e Guias-Intérpretes de Língua de Sinais).


Texto de Vanessa Paula Rizzotto




REFERÊNCIAS

QUADROS, Ronice Müller de. O tradutor intérprete da língua brasileira de sinais e língua portuguesa. Secretaria de Educação Especial; Programa Nacional de Apoio a Educação do Surdos – Brasília: MEC / SEESP, 2004.


SANTA CATARINA; Secretaria do Estado de Educação; Fundação Catarinense de Educação Especial. Intérpretes educacionais de Libras: orientações para a prática profissional. Org.: João Paulo Ampessam, Juliana Sousa Pereira Gruimarães e Marcos Luchi. Florianópolis: DIOESC, 2013.